Um blogue de apoio à construção de uma cultura de Cidade Educadora nas Cidades da Rede Portuguesa de Cidades Educadoras

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Habitar a Cidade, Construir Espaço Público: novo debate esta quinta-feira


Mais um debate do ciclo Habitar a Cidade Construir Espaço Público, desta vez sobre “O papel das empresas na construção de Évora, Cidade Educadora” 
Moderação: Professora Maria Manuel Serrano, do Departamento de Sociologia da Universidade de Évora, doutorada em Desenvolvimento de Recursos Humanos.
Participação de:
- Professor Paulo Neto, docente do Departamento de Economia da Universidade de Évora, doutorado em Desenvolvimento Regional e Urbano;
- Eng. José Manuel Noites, proprietário das empresas Somefe, (fundada em Évora em 1947) Noites Reciclagem, Sometambi e Noites Imobiliária,
- Drª Helena Costa, directora dos Recursos Humanos da Embraer, empresa de escala global recentemente instalada em Évora

Quinta-feira, dia 25 de Outubro, no Condestável Café, em Évora, às 17,30 horas

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

As cidades educadoras como expressão da vontade colectiva

Évora, vai acolher, neste mês de Outubro, dia 19, um encontro das cidades educadoras portuguesas.
Da agenda de trabalhos destaca-se o anúncio da cidade onde, no decurso do próximo ano, se realizará o
V Congresso Nacional das Cidades Educadoras. O tema central desse encontro que acontece de dois em dois anos deverá igualmente ser conhecido nesta próxima reunião em Évora.
"As cidades educadoras como expressão da vontade colectiva" é o tema da conferência de abertura deste encontro de Évora, apresentada pelo Prof. Silvério da Rocha e Cunha, docente da Universidade de Évora. Esta componente do encontro, de natureza formativa, é dirigida aos técnicos e responsáveis políticos participantes no encontro mas é também aberto ao público interessado. Pelas 10h de sexta feira, 19, no Palácio D. Manuel.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Esta 5ª feira recomeçam os debates: "A educação formal, não formal e informal em Évora, Cidade Educadora"


CONVITE 

O CIDEHUS (Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades) e o Departamento de Filosofia da Univer-sidade de Évora têm o prazer de o convidar a participar no debate sobre "A educação formal, não formal e informal em Évora, Cidade Educadora" que terá lugar na próxima quinta-feira, 27 de Setembro, entre as 17.30h e as 20.30h no Condestável Café Bistrô, Rua Diogo Cão, 3, em Évora.
A mesa motivadora deste debate é constituída pelo Professor Joaquim Félix, Director da Escola Secundária Gabriel Pereira em Évora; pela Professora Maria de Jesus Florindo, Presidente da Universidade Sénior de Évora; e por José Saloio, actor, encenador e animador cultural reconhecido na cidade.
A moderação está a cargo do Prof. Doutor José Carlos Bravo Nico, docente do Departamento de Pedagogia e Educação da Universidade de Évora.
Este é o sétimo de um ciclo de debates intitulado "Habitar a Cidade. Construir Espaço Público" a decorrer durante o ano de 2012 e para o qual são convidados todos os cidadãos interessados.

Contamos consigo! 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

E o que é que a política tem a ver com isso? Tudo.


Na passada quinta-feira voltou a discutir-se o conceito de cidade educadora, desta vez sob a perspectiva da visão dos partidos políticos com assento na Assembleia Municipal.
Não era de estranhar que, de uma forma ou de outra, os quatro representantes dos partidos concordassem sobre o conceito, sobre a necessidade de percorrer caminhos que conduzissem à tal “utopia” da cidade que, na construção da teia de relações que vai estabelecendo, se vai transformando em cidade solidária, inclusiva, participativa, crítica, interventiva e de cidadania plena onde o medo seja uma referência que se vai buscar às estórias infantis e não uma vivência diária.
Se não saíssemos daqui seriamos levados a pensar que os cidadãos organizados em partidos políticos (a adesão voluntária a um partido político não retira a cidadania a ninguém, apesar de alguns o pretenderem fazer) se poderiam juntar numa espécie de clube de reflexão e por consenso delinear um programa de acção para empreender essa obra sempre inacabada da “cidade educadora”.
Mas a vida é um “pouco” mais complexa do que as elucubrações académicas sobre conceitos teóricos ideais e insiste em por à prova as intenções de cada um nas escolhas que inevitavelmente se fazem.
E é aí, no campo das opções do dia-a-dia, que as águas se separam e o caldo se entorna.
Évora faz parte de uma rede internacional de cidades educadoras desde 2000, mas será que as opções políticas e as práticas de gestão dos últimos anos estão a contribuir para a tal construção sempre inacabada ou, antes pelo contrário, estão a contribuir decisivamente para o afastamento dos cidadãos da gestão da coisa pública, a empurrar para a anonímia generalizada, garantindo upseudo apoio de uma enorme massa acrítica sem opção de escolha?
A cidade quer-se educadora mas os poderes públicos não parecem saber o que fazer com o conceito, o que tem como resultado que a generalidade da população ignora que a sua cidade se pretende afirmar como educadora.
Concordámos todos com o que deve ser uma cidade educadora, mas é mais fácil defender a ideia que optar por levá-la à prática e poderemos até dizer que a gestão do PS na Câmara de Évora tem contribuído de forma decisiva para esse insucesso.
Poderemos afirmamo-nos como cidade educadora quando verificamos uma deterioração generalizada da limpeza do espaço púbico? Quando o poder político local opta por tratar os agentes da cidade organizados em associações culturais, desportivas e sociais como uma espécie de párias que apenas pretendem receber subsídios? Quando opta por investir em espaço privado, como aconteceu com a Praça de Touros,em detrimento da recuperação do património público? Quando a ideia de Évora Cidade de Cultura é reduzida a uma mera caricatura? Quando a participação dos cidadãos é promovida, apenas e só, quando formalmente a lei o exige e ainda assim de forma o mais discreta possível como aconteceu com a discussão pública da revisão do PDM?
Certamente que não. É fácil encher a boca de cidade, de cultura, de educação. Difícil é compatibilizar a prática com as boas intenções, em particular quando a prática corresponde a uma forma de estar na política que pouco ou nada tem a ver com as “boas intenções”.
A cidade educadora construída pelas relações de cidadania não pode ter nos agentes políticos eleitos um travão, mas sim elementos potenciadores dessa construção. E é aqui, na prática das opções políticas, que se deve centrar a discussão.
Alguém me disse um dia “não é por dizer cem vezes a palavra açúcar que se me adoça a boca”. Mutatis mutandis (fica sempre uma coisinha em latim para dar um ar de erudição) não é pelos ministros andarem de bandeira na lapela que são patriotas, não é porque a maioria que gere o município afirma a paixão pela cidade educadora que ela se constrói.
No debate o representante do PS disse que se tinha feito mais em Évora nos últimos 10 anos que nos 50 anteriores. Conhecendo-lhe a inteligência e o sentido de humor, certamente não me levará a mal que ache que deve ter havido um pequeno lapso naquilo que queria dizer. A realidade, que entra pelos olhos dos munícipes, recomenda que se “corrija” a alocução para “fez-se mais contra Évora nos últimos 10 anos do que nos 50 anteriores”.
 
Eduardo Luciano
crónica de opinião publicada no Semanário Registo, 26/7/2012

terça-feira, 17 de julho de 2012

Cidades de Évora e Petrolina apostam na Educação


O presidente da Câmara de Évora, José Ernesto de Oliveira, recebeu recentemente a visita do Prefeito de Petrolina, Júlio Lossio de Macedo, que veio apresentar cumprimentos ao autarca eborense, e por essa via a toda a cidade, tendo aproveitado também para dar a conhecer o Programa Nova Semente, do qual é o criador e implementador. 
“Petrolina é uma cidade do nordeste brasileiro, que tem, como Évora para o Alentejo, uma função central em relação a todo o nordeste brasileiro e com esta visita surge a possibilidade de um conhecimento mais aprofundado entre as duas cidades”, explicou José Ernesto d’ Oliveira após a receção, considerando ter sido esta uma “ocasião para mostrar alguns aspetos fundamentais da nossa vida social, económica e cultural”, esperando que deste encontro “possam nascer oportunidades de cooperação e desenvolvimento”. 
A apresentação do programa municipal Nova Semente - centrado na criação de uma vasta rede de creches que dão apoio educativo e social às famílias mais carenciadas - teve lugar num workshop intitulado "Cidades Educadoras - Habitar o Espaço Público", que decorreu no mesmo dia, no Salão Nobre dos Paços do Concelho. 
Este workshop, que teve o patrocínio da autarquia eborense, proporcionou uma troca de experiências entre ambas as cidades educadoras. Inseriu-se no âmbito de um protocolo estabelecido entre a Universidade de Évora e a Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina – FACAPE (Pernambuco – Brasil) e na sequência da visita do Prefeito Municipal de Petrolina a Évora, onde contatou com quatro dos seus concidadãos que estão a realizar o doutoramento na Universidade de Évora. 
O evento contou com a participação da Vereadora Cláudia Sousa Pereira que deu as boas vindas, designadamente ao Prefeito de Petrolina, e agradeceu aos parceiros o desafio para a realização desta reunião técnica, tendo também sublinhado a importância de Évora na Rede das Cidades Educadoras. 
Além do Prefeito de Petrolina, participaram também como convidados Zélia Ramos (Doutoranda do Curso de Filosofia / UÉ & FACAPE) e Valdenor Clementino (Doutorando do Curso de Gestão / UÉ), bem como Jorge Ponciano (Técnico da Câmara Municipal de Silves) e José Manuel Martins, do Departamento de Filosofia da Universidade de Évora. 
Destaque também para a apresentação das linhas mestras do projeto de doutoramento denominado Construir a cidade. Habitar o espaço público, feita por Maria das Dores Correia, doutoranda do Departamento de Filosofia da Universidade de Évora e técnica camarária da autarquia eborense. (Nota de Imprensa da CME)

Debate sobre "o papel dos partidos políticos na construção social de Évora, Cidade Educadora"

(clique na imagem)

O CIDEHUS (Centro Interdisciplinar de História, Cultura e Sociedades) e o Departamento de Filosofia da Universidade de Évora têm o prazer de o convidar a participar no debate sobre "o papel dos partidos políticos na construção social de Évora, Cidade Educadora" que terá lugar na próxima quinta-feira, 19 de Julho, entre as 17.30h e as 20.30h no Condestável Café Bistrô, Rua Diogo Cão, 3, em Évora. 
O painel deste debate é constituído pelas pessoas indicados pelas estruturas concelhias de cada um dos quatro partidos políticos com assento na Assembleia Municipal de Évora. Assim, o Prof. Manuel Cabeça representará o Partido Socialista (PS), o Dr. Eduardo Luciano representará o Partido Comunista Português (PCP), o Dr. Nuno Alas representará o Partido Social Democrata (PSD) e a Dr.ª Amália de Oliveira representará o Bloco de Esquerda (BE). A moderação estará a cargo do Prof. Doutor Silvério da Rocha e Cunha, docente da Universidade de Évora, doutorado em teoria jurídico-política (área de Filosofia Política).
O debate é aberto a todos os cidadãos interessados em reflectir sobre as percepções actuais e futuras, de Évora,enquanto cidade educadora. 
Esta é a sexto encontro integrado num ciclo intitulado "Habitar a Cidade. Construir Espaço Público" que se prolongará durante o ano de 2012.
Contamos consigo!

domingo, 15 de julho de 2012

O que dizem os partidos sobre Évora, cidade educadora


19 de julho é a data do próximo debate. Entre as 17.30 e as 20.30h, no Café Condestável. Mesmo antes do mês de férias.
Os convites para debater o contributo dos partidos políticos para a construção de Évora, cidade educadora foram endereçados e gentilmente aceites. Espera-se agora a resposta dos cidadãos interessados.
O texto do convite aos partidos fica aqui.

À direção das estruturas concelhia concelhia dos Partidos Políticos representados na Assembleia Municipal de Évora:
Partido Socialista (PS)
Coligação Democrática Unitária (CDU) 
Partido Social Democrata (PSD)
Bloco de Esquerda (BE)

Évora é uma Cidade Educadora desde 2001.

Investigar "as problemáticas da configuração activa do conceito de Cidade Educadora e do seu impacto no tecido social da Évora contemporânea", é o objectivo de uma investigação académica sediada no Departamento de Filosofia, e no CIDEHUS (Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades) da Universidade de Évora, sob a coorientação dos Prof.s Doutores Teresa Santos e Agustín Escolano Benito (Univ. Valladolid).

No âmbito desta investigação está a decorrer, durante o ano de 2012 , com cadência mensal, um ciclo de debates intitulado "Habitar a Cidade. Construir Espaço Público".
Cada um dos debates previstos centra-se sobre uma das componentes estruturantes da vida desta cidade, previamente identificada, solicitando-se a um painel de individualidades especialmente identificadas com o tema proposto que contribua para o debate aberto a todos os cidadãos habitantes de Évora que aceitem o convite para tomar parte nesta reflexão conjunta.
Os conteúdos de cada sessão são registados, em formatos video e audio, e constituem material de apoio à elaboração da tese do doutoramento acima referenciado.
No mês de Julho propomos reflectir sobre "o papel dos partidos políticos na construção social de Évora, Cidade Educadora".
A organização deste ciclo de debates vem assim convidar um representante desta estrutura partidária para integrar a mesa motivadora deste debate, que contará com a representação dos quatro partidos com assento na Assembleia Municipal de Évora, e ainda com a moderação de Silvério da Rocha e Cunha, Professor associado da Universidade de Évora e doutorado em Teoria Jurídico-Política (área de Filosofia Política) pela Universidade de Évora.
Na tentativa de distanciamento do período mais comum de férias, este debate está agendado para a penúltima quinta feira do mês de Julho, dia 19, como habitualmente entre as 17, 30h e as 20, 30h no Café "Condestável", Rua Diogo Cão, Nº3 em Évora.
Gratos pela atenção dispensada a este assunto
aguardamos a vossa resposta
e colocamo-nos ao vosso dispôr para o esclarecimentos complementares que considerarem convenientes.
Com os melhores cumprimentos
 P'la organização do ciclo de debates

Maria das Dores Correia

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Esta sexta-feira na Universidade de Évora conferência sobre o SUL

(clique na imagem para aumentar)

Amanhã, sexta-feira, 15 de Junho, mais de uma centena de investigadores das ciências sociais e humanas encontram-se na Universidade de Évora para uma reunião anual em que dão conta dos temas, metodologias e orientações dos seus projectos.
Estes investigadores, enquadrados pelo CIDEHUS (Centro interdisciplinar de história, culturas e sociedades da Universidade de Évora), oriundos de diferentes áreas disciplinares e de diversos lugares do país (do Minho ao Algarve) têm em comum uma linha temática de fundo: O “Sul”. “No sentido do Sul de Portugal, do Sul da Europa, do hemisfério Sul, do diálogo Norte - Sul. É um Sul usado de uma forma metafórica” explica a Prof. Fernanda Olival, vice directora do CI DEHUS. O Sul é explorado por estes investigadores em três linhas diferenciadas: a primeira, a que reúne maior número de pessoas (54), centra-se nas dinâmicas sociais e políticas do Sul. A segunda debruça-se sobre a sua cultura material. E a terceira sobre a circulação da informação cientifica, - que se encontra nas bibliotecas e nos arquivos - sempre em torno do Sul.

Arquitectura e Urbanismo - uma construção que para além das linhas seguras do desenho exige liberdade e criatividade

Foto Joaquim Carrapato - Condestável, café-bistrô, 31 de Maio 2012

Várias dezenas de participantes ouviram  a Prof. Aurora Carapinha e o Arquitecto Jorge Silva, numa mesa motivadora moderada pelo jornalista Paulo Nobre.
Em seguida, e durante três horas de sessão, foram diversos os participantes que comentaram, expuseram, e acrescentaram a sua perspectiva sobre o urnaismo e a arquitectura concretizados nesta Évora que se propõe ser uma cidade educadora.

Évora, cidade educadora : Uma construção social contemporânea

Investigação em curso
Resumo:
O conceito de cidade educadora tem vindo a desenvolver-se a partir de Barcelona desde o início dos anos 90 do século XX. Mais de 400 cidades em todo o mundo trabalham no desenvolvimento e aplicação deste conceito à sua especificidade.
Évora é uma dessas cidades que desde 2001 se assume como educadora.
O presente trabalho visa investigar as formas de apropriação e vivência do conceito de cidade educadora no caso de Évora.
A metodologia de investigação considera à partida três esferas representativas da realidade em estudo, a saber: A esfera académica (onde se incluem estudos, perspectivas e opiniões emitidas por fontes de natureza predominantemente académica); a esfera política (onde se recolhe informação emitida por fontes de natureza político e administrativa); e a esfera empírica (onde se busca a percepção e opinião sobre a cidade educadora, formadas por cidadãos de Évora aderentes ao debate público do tema.)
A partir da recolha e análise da expressão pública destes três discursos, no que respeita a “Évora, cidade educadora”, pretende-se conhecer o exercício desenvolvido na última década sobre o conceito, bem como identificar eventuais possibilidades de desenvolvimento num futuro próximo.

Enquadramento académico: Departamento Filosofia da Universidade de Évora e CIDEHUS
Orientação do projecto de investigação: Prof.s Teresa Santos e Agustín Escolano Benito
Autoria : Maria das Dores Correia

terça-feira, 29 de maio de 2012

Amanhã: "Urbanismo e Arquitectura na Construção de Évora, Cidade Educadora"


O Ciclo de debates "Habitar a Cidade, Construir Espaço Público" terá na próxima quinta feira, 31 de Maio a sua 5ª edição centrada sobre os contributos da Arquitetura e do Urbanismo.
Na mesa motivadora deste debate estarão dois especialistas na construção de cidade, profundos conhecedores do caso de Évora:
A Prof. Aurora Carapinha é Arquiteta Paisagista e Professora na Universidade de Évora. O Arquiteto Jorge Silva foi o impulsionador do primeiro PDM de Évora, da encomenda do Projecto da Malagueira ao Arquitecto Siza Vieira, Professor Universitário e Director da Oficina de Arquitectura.
A moderação estará, desta vez, a cargo de um jornalista: Paulo Nobre.
O Objectivo é reflectir em público, com os cidadãos que aceitem este convite, como construir mais Cidade Educadora em Évora.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

26 de Abril é dia de debate sobre História, memória e património

 Convidamo-la/o a tomar parte no debate  sobre o papel da História, da Memória e do Património na construção de Évora como Cidade Educadora.
 A História, a Memória e o Património constutuem-se como valores assumidos por esta cidade como parte integrante de si. De que forma poderão estes recursos contribuir para as reconfigurações que Évora deseja nesta primeira metade do séc. XXI ? 
"Habitar a Cidade. Construir Espaço Público" é a proposta de um ciclo de debates durante o qual procuramos pensar Évora, Cidade que se designa como Educadora.
Decorre no âmbito de uma investigação orientada pelo Departamento de Filosofia e pelo CIDEHUS- Universidade de Évora.
 Na próxima quinta feira, dia 26 de Abril, ao fim da tarde - entre as 17.30 e as 20.30h, contamos
com a moderação da  Professora Antónia Fialho Conde e a participação dos especialistas Artur Goulart, Carmen AlmeidaCelestino David e Manuel Branco,
no Café Condestável em Évora (Rua Diogo Cão, nº3).


Aceite o convite e crescente a sua participação

segunda-feira, 2 de abril de 2012

A culpa e a cidadania

Foto de Joaquim Carrapato.
Aspecto do debate no café Condestável
 Na quinta-feira aconteceu mais um debate sobre o tema HABITAR A CIDADE. CONSTRUIR O ESPAÇO PÚBLICO. Desta vez o espaço foi, ou melhor, poderia ter sido dos jovens criadores.
Na realidade o Pedro Pinto (músico e produtor) provocou e moderou o debate. As preocupações, as aspirações, os sonhos transmitidos pelo Daniel Catarino (cantautor), pela Joana Dias (designer), pelo Márcio Pereira (performer), e pela Anarita Rodrigues (actriz) foram a pedra de toque que marcou aquele espaço de reflexão. Por ali passou a cidadania. Esta passagem poderia ter sido muito mais viva, muito mais controversa, muito mais rica e partilhada. Mas na verdade quem estava para debater não foram propriamente jovens criadores, jovens artistas, nem jovens produtores ou programadores. Esses não apareceram (com uma ou outra excepção).

Fala-se muito da relação, ou da negação de relação, entre política e cultura. Este espaço de debate, claramente fora de tutelas partidárias, torna muita clara a relação entre a política, entendida como participação cidadã, e a cultura, a arte e … tudo o resto que nos distingue dos outros viventes!

Este debate foi atravessado por um sentimento que começa a ganhar proporções dramáticas nas nossas vidas, o sentimento da culpa. Um dos elementos ideológicos estruturante da crise decorre da reprodução da culpa, ou da culpa partilhada: “estamos assim porque vivemos acima das nossas possibilidades”, “se formos mais empreendedores conseguimos …”, “temos que fazer um esforço nacional”. E enquanto nos autoconvencemos que também “temos parte no caixote” os bancos continuam a financiar-se a 1% no BCE e a vender o dinheiro a juros de agiotas. Os grandes acionistas do BPN já partilharam o encaixe que o estado, todos nós solidários e em acto de contrição pela culpa, lhes propiciou de 8 000 Milhões de euros. Os tubarões da saúde privada, as seguradoras, as misericórdias, etc., já garantiram o desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde através dos canais de transferência do dinheiro dos nossos impostos para as clínicas, e hospitais privados que dominam. E assim o Estado vai-se retirando das nossas vidas, isto é, vai-se esfumando a tutela do interesse público. A justiça social, eixo fundamental da constituição, pautava o papel de um estado que deveria tender a reequilibrar relações sociais desiguais. Hoje o estado vai encurtando o seu alcance no plano dessa acção discricionária positiva ao serviço dos interesses dos grupos sociais em situação mais desfavorecida e, pelo contrário, vai exercendo, cada vez mais, um papel de subserviência activa ao serviço dos interesses dos banqueiros, da alta finança e dos grandes grupos económicos.

Este estilhaçar do serviço público tem uma forte incidência aqui em Évora, não só pela ausência crescente dos meios financeiros e logísticos dos serviços centrais do estado no suporte a actividades que decorrem de obrigações constitucionais, nomeadamente no que diz respeito à educação não formal e à cultura, como pela ausência, quase total, dos apoios municipais a essas mesmas actividades e agentes.

O debate a que assisti não deixou de incidir sobre aquilo que não existe e devia existir, aquilo que não acontece e deveria acontecer. O problema do espaço, do custo do espaço e da falta de espaços para actividades culturais numa cidade com tantos espaços fechados, a dificuldade de criar e interessar públicos, a dificuldade de comunicar e de promover o objecto artístico. Tudo isso, aliado à necessidade de gerar meios de suporte e financiamento à criação, constituem hoje os problemas, pelo menos destes, jovens criadores. Impressionou-me esta quase assumpção da culpa/responsabilidade por uma situação de clara regressão no que diz respeito aos apoios municipais às actividades dos agentes culturais. O esforço que estes agentes culturais hoje fazem para nos propiciarem o confronto com objectos artísticos é injusto porque decorre de um brutal desequilíbrio na repartição de bens e de uma total perversão do sentido da defesa do interesse público. Provavelmente o dinheiro que foi enterrado na Praça de Touros privada poderia suportar muitas décadas de apoio público à cultura.

Surpreendeu-me muito não encontrar este espaço cheio de jovens músicos, performers, actores, dançarinos, marionetistas, programadores e produtores de eventos culturais. Aqui falou-se, ainda que timidamente, de política talvez fosse por isso que os jovens criadores não apareceram. É que, afinal de contas, a política é para os políticos que na sua lógica discursiva cortam a realidade em fatias finas remetendo as nossas preocupações para pequenas partes da realidade, ficando assim bem mais à vontade para exercerem de forma cada vez mais totalitária o seu poder.
 
Luís Garcia, 2 de Abril, no fb

sexta-feira, 30 de março de 2012

um debate vivo, mas...

Foto de Joaquim Carrapato: o debate sobre jovens criadores
"Foi um debate vivo, mas chegados ao fim, alguns ficámos a perguntar-nos: Mas o que é que os jovens criadores pensam? A CA sintetizou bem: pensam que têm que se desenrascar sozinhos para arranjar o seu trabalho, contando apenas com a ajuda dos pais.
Lamentável, não a conclusão, mas o estado a que isto chegou
..."

Helena Figueiredo no FB

terça-feira, 20 de março de 2012

sobre a relação da gente jovem com os espaços-tempos da cidade

"As formas de participação baseadas em práticas culturais na cidade, parecem de facto, posicionar os jovens em condições de reverter a “presentificação” do tempo e a crise das relações sociais que caracterizam a nossa época."
Esta é uma das conclusões a que chega Carmen Leccardi, socióloga da Universidade de Milão- Bicocca, num artigo intitulado " Crise do futuro, redefinições de cidadania e formas de participação cultural da juventude", publicado na revista " Cidade, Juventude e Educação" da AICE. Trata-se de um texto produzido a partir de uma investigação desenvolvida em Milão em 2008, centrado sobre "as relações dos jovens com os espaços-tempos da metrópole".
" Se bem que confrontados com processos sociais geradores de novas e profundas desigualdades, estando obrigados a construir a sua própria biografia sem poder contar com o apoio institucional, num horizonte 'a curto prazo', os jovens incluidos nesta investigação expressam positivamente todo um reportório de capacidades criativas. Graças a esse reportório parecem estar em condições de pôr em prática formas de ação cultural, frequentemente pensadas e construídas com chave política, capazes de 'domesticar' (Mandich, 2008) os tempos fortemente acelerados (Leccardi, 2009) e os 'espaços abstractos' (Lefebvre, 1974) da cidade."
Não dispondo Évora de um estudo do género, o que pensarão os jovens de Évora desta perspectiva de Leccardi? Haverá possibilidades de se reverem  neste estudo?

segunda-feira, 19 de março de 2012

Mais um debate no próximo dia 29 de Março

Aí está mais um debate do ciclo "Habitar a Cidade, Construir Espaço Público", intitulado "Jovens Criadores e a construção de Évora Cidade Educadora" que terá lugar na próxima quinta-feira, 29 de Março, entre as 17.30h e as 20.30h no Condestável Café Bistrô, Rua Diogo Cão, 3, em Évora.
O painel deste debate é constituído por Pedro Pinto, músico (moderador); Ana Rita Rodrigues, actriz e criadora; Daniel Catarino, músico; Joana Dias, designer; Márcio Pereira, perfomer.

terça-feira, 13 de março de 2012

"Não penso que Évora é uma cidade educadora"

Foto de Pedro Pinto - debate de Fevereiro
Cláudia Silvano é cidadã de Évora, e acompanhou o último debate sobre "Arte pública e a construção de Évora cidade educadora". Confrontou-se, posteriormente e quase por acaso,  com o documento a seguir transcrito e aprovado há menos de um ano pelo Congresso Nacional das Cidades Educadoras em Lisboa. À luz desta declaração lhe parece haver razões para pensar que Évora não é uma cidade educadora:
"Não penso que Évora é uma cidade educadora, não há cooperação, não há estruturação, não há uma linha condutora, não há....
Fiquei triste, pois estas coisas não saem do papel.São bem pensadas e escritas e depois...
Desculpa o desabafo, mas a culpa é tua, pois alertaste-me para isto"

Declaração Das Cidades Educadoras para o Desenvolvimento Sustentável.

Fundamentados na Carta das Cidades Educadoras e nos Princípios emanados da Cimeira da Terra decorrida no Rio de Janeiro (1992) e consagrados na Cimeira Mundial de Desenvolvimento Sustentável de Joanesburgo (2002) e nos Objectivos do Milénio que vieram nortear a Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável, os participantes no IV Congresso Nacional das Cidades Educadoras, declaram:

1 – As Cidades são um substrato educador por excelência pelo que devem facilitar a fruição dos seus recursos e oportunidades educativas orientadas para os diferentes níveis etários, através das várias modalidades de educação que nelas se realizam (formal, informal e não formal).
A paisagem urbana deve tornar-se um bom substrato pedagógico e um bom exemplo capaz de melhor enquadrar esses processos perspectivando um ambiente de qualidade para todos os cidadãos e uma sociedade mais participativa; (Paisagem Educadora)

2 – As Cidades Educadoras promoverão a qualidade de vida das suas comunidades, facilitando-lhes o acesso, uso e fruição às instituições solidárias, educativas e culturais, aos espaços e serviços públicos e às áreas naturais; (Livre acesso)

3 – As Cidades Educadoras valorizarão o desenvolvimento humano como processo de diálogo intercultural, dando visibilidade à sua diversidade humana, social e cultural como forma de afirmação da sua identidade como cidade dinâmica e sustentável; (Diálogo intercultural)

4 – As Cidades Educadoras devem oferecer aos agentes educativos oportunidades e recursos educativos também fora do contexto formal de educação e ensino, que podem proporcionar aprendizagens educadoras pedagogicamente mais eficientes porque desenvolvidas fora do seu contexto usual, em ambiente real; (Educação em ambiente real)

5 – Os processos educativos devem integrar não só os aspectos cognitivos relativos ao desenvolvimento sustentável, mas sobretudo os comportamentos e atitudes neles implícitos que alicercem uma verdadeira cultura ambiental e de cidadania; (Educação para os Valores)

6 - As Cidades Educadoras desenvolverão processos educativos que venham a contribuir para a estruturação de uma sociedade sustentável nas suas vertentes económica, social, institucional e ambiental; (Educação para a Sustentabilidade)

7 – As Cidades Educadoras salvaguardarão a biodiversidade e o equilíbrio dos ciclos naturais, suportados numa responsabilidade ética da sociedade para com os outros seres vivos que com ela partilham o planeta; (Educação para a Biodiversidade)

8 – As Cidades Educadoras devem envolver a comunidade educativa no processo da Agenda 21 Local, criando os necessários mecanismos facilitadores do acesso à informação e à participação; (Agenda 21 Local)

9 – Nas Cidades Educadoras os espaços e equipamentos destinados ao desenvolvimento de actividades educadoras deverão integrar aspectos e soluções energéticas de biodiversidade, de interculturalidade e de natureza em meio urbano que sejam promotores da cooperação, interacção e aproximação entre todos os agentes envolvidos; (Equipamentos e Infraestruturas Educadoras)

10 – A gestão dos equipamentos destinados ao desenvolvimento de actividades educadoras deve seguir procedimentos participados que conduzam à apropriação colectiva e à responsabilidade partilhada no seu desenvolvimento e participação que conduzam à Acção e que possam influenciar positivamente a cidade; (Gestão para a Acção)

11 – Nas Cidades Educadoras, os agentes educadores devem envolver-se em processos de formação continuados, prosseguindo uma permanente actualização e o aperfeiçoamento crítico da sua acção educativa; (Educação ao longo da vida)
12 – Urge repor o relacionamento harmonioso da Cidade com a Natureza numa unidade ambiental funcional da Cidade; (Relação cidade – campo)

13 – Nas Cidades Educadoras, os conceitos e princípios do desenvolvimento sustentável devem ser apropriados por toda a comunidade, num compromisso activo de cidadania democrática e participativa e de relacionamento harmonioso dos ambientes construídos com a natureza. (Educação de todos, por todos e para todos)
IV Congresso Nacional das Cidades Educadoras
Lisboa, 7 de Maio de 2011,


quarta-feira, 7 de março de 2012

Centros e discursos


Foto Pedro Pinto
No contexto, parece-me por vezes que as visões académicas se esquecem dos planos práticos. todos somos artistas, todos somos potenciais produtores das diversas artes. mas perece-me, contudo que, um conhecimento erudito da história e correntes artísticas e estéticas, são essenciais para a produção artística consciênte, emanada das emoções mas domesticada e enquadrada pelos códigos, conceitos e cânones, que não têm que constituir forçosamente mordaças ou espartilhos para a livre expressão.

Sobre o espaço público, a sua vida e vivência, a sua inteligeência e usofruto, parece-me haver uma deficiente leitura dos diversos centros que uma cidade pode gerar. naturalmente que a imposição de obras de regime e discurso de poder, seja no contexto temporal do decurso do crescimento natural da cidade, ou no seu crecimento ou variação de importância económoco-política gera centros privilegiados/nobres, também gera centros naturais que no caso de évora são a vida quotidiana de alguns bairros em que existe uma dinâmica e vida próprias. Apenas a existência de um pequeno largo com um estabelecimento comercial pode gerar expontãneamente uma "subcentralidade" que poderá posteriormente ser aproveitada á posteriori por um qualquer discurso de poder ou regime atravéz de uma qualquer obra de arte emanate ou não da realidade do local.

Será sempre um poder, oficial de um orgão executivo, ou expontâneo de uma população, a definir o elemento cenográfico, arquitectónico, escultórico, ou mesmo de mobiliário urbano, que construirá o centro ou "subcentro" de um determinado aglomerado ou subdivisão urbanos permanecerão matéria viva e serão apropriados e utilizados ou não, conforme exista uma afinidade emocional, ideológica ou económico-comercial que lhe esteja subjacente, sendo que a sua imposição será sempre de difícil aceitação e até mesmo de negação se estas características não existirem.

A leitura dos discursos políticos, digo de regime ou poder, só serão feitas porquanto e enquanto reunirem significados emocionais para a população. (concretamente- digamos que nunca ninguem dirá a rotunda do icaro mas sim a rotunda da rampa... do seminário e será muito difícil assumir a rotunda da LAGRIL como rotunda das bicicletas. o refratarismo á mudança por parte dos colectivos é sempre muito acentuado a não ser que tal parta directamente da população anónima por qualquer acontecimento que conquiste ou envolva o seu imaginário.) estes fenómenos encontram-se nas toponímias das cidades que nem sempre são coincidentes com as designações populares (por mais que a baixa lisboeta ostente a definição de rua aurea ela será sempre a rua do ouro, por mais que a eborense praça antónio augusto de aguiar ostente as suas oficiais placas será sempre o jardim das canas, tal como a rua candido dos reis será sempre a rua da lagoa). é de facto a viveência popular que assimilará ou não as demarcações, definições, exibições, etc. dos espácos públicos. poder e as modas fazem propostas que podem fazer marco ou não, bem como as utilizações podem alterar-se com o tempo.

Esta foi apenas uma manifestação de sensibilidade empírica muito pessoal. Peço perdão se disse alguma enormidade. :)

Vicente de Sá
no facebook 25.2.2012 entre a 01.41 e as 02.21 no grupo Évora, como comentário à opinião de JRdSantos



 

terça-feira, 6 de março de 2012

comentário de um participante no debate sobre "arte no espaço público" (fevereiro)

Foto Pedro Pinto
As iniciativas que a Dores Correia tem vindo a tomar mostram, como aliás outras já vinham indicando, que existe em Évora espaço para debate... e que quando ele não existe, é possível criá-lo.
Gostei do painel pela sua qualidade e pela diversidade dos pontos de vista. A sala, creio, estava muito atenta e a Dores Correia está de parabéns.
Fiquei com duas ou três pequenas (!) questões atravessadas na... mente, porque me parece que elas foram evocadas só à superfície, ou evitadas:
- A definição de "arte pública" que tanto nas apresentações como no texto de Susana Piteira, ficou mal alinhavada, confusa e até contraditória (como alguém notou: entre "arte no espaço público" e "arte para o grande público", ou "arte pública" porque encomendada pelos poderes públicos, etc.).
- A questão do poder no / sobre o espaço público, em geral, e na inserção de "obras artísticas" nesse mesmo espaço: quando a arte é tomada, como inevitavelmente na rede do poder (como instrumento, como mensagem, etc.). O que fazem a arquitectura e o urbanismo à cidade dos cidadãos, como forma específica de dominação.
- A questão do estatuto do "artista" em relação aos "não-artistas", pela mediação do poder (poder instituir quem é e quem não é "artista") e da "arte" (instituir o que é e o que não é arte).

Sobre todas estas questões, foi um prazer constatar que alguns dos panelistas acharam as minhas posições "muito (para não dizer demasiado) radicais".
Concordo. Essa "radicalidade" mais não é do que o resultado da postura analítica que aprendi ao longo dos anos: a independência dos interesses institucionais, políticos, profissionais, coloca-nos em posição de poder dizer o... que não se pode dizer, à diferença dos que fazem "arte para as pessoas", "cidade para as pessoas" e se arrogam o direito de saber melhor que as pessoas o que é bom para elas, a sua vida, o seu espaço próprio, etc.
Pequenas questões, decerto...

José Rodrigues dos Santos
no facebook, grupo Évora, em 24.02 às 17.50h

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Évora: esta tarde mais um debate sobre a cidade educadora

(Foto José Manuel Rodrigues)

Discutir o papel da arte no espaço público em Évora, na segunda década do século XXI, com uma perspectiva crítica e multidisciplinar, é o objectivo do debate de hoje à tarde, entre as 17,30 e as 20,30 horas, num café Condestável. 
“A Arte Publica crítica, não tem por objectivo nem um exibicionismo complacente, nem uma colaboração passiva com a grande galeria da cidade, o seu teatro ideológico e o seu sistema sócio-arquitectural. Trata-se antes de uma estratégia de colocar em questão as estruturas urbanas e os meios que condicionam a nossa percepção quotidiana do mundo” explica Susana Piteira, a moderadora deste debate, citando K. Wodiczo, um artista e autor conceituado de origem polaca, que vive entre Nova York e Cambrige. Esta é a ideia de partida para uma reflexão para a qual estão convidados os cidadãos-habitantes de Évora. 
Susana Piteira é escultora e professora na Faculdade de Belas Artes do Porto. Viveu em Évora Monte durante as últimas duas décadas. Desenvolveu uma tese de doutoramento (em fase de conclusão) sobre o tema proposto para este debate. 
Isabel Bezelga é professora na Universidade de Évora e coordenadora do projecto MUS-E, centrado nos últimos anos na educação pela arte, na escola da Cruz da Picada em Évora. 
José Alberto Ferreirapara além de professor na Universidade de Lisboa é o responsável pelo festival de artes performativas "Escrita na Paisagem” que avança este ano para a 10ª edição. 
Nuno Lopes é arquitecto. Habitante em Évora, tem o seu nome ligado ao Bairro da Malagueira e a Siza Vieira, ao Centro Histórico de que foi director durante alguns anos, e a outros projectos que motivaram a discussão pública. 
Paulo Simões Rodrigues também professor de História de Arte na Universidade de Évora e investigador no CHAIA – (Centro de História da Arte e Investigação Artística, Universidade de Évora), estuda principalmente a arte contemporânea. 
A este painel diversificado de especialistas caberá motivar o segundo debate do ciclo “Habitar a Cidade. Construir Espaço Público”. Entrada livre.

Newsletter Évora Cidade Educadora 2

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A Arte pública pressupõe participação pública. Notas para o debate de Fevereiro

Fotografias de José Cabral (1997-1998)
Edição da Câmara Municipal de Évora, s/d (1999?)
tirada daqui
A arte pública pressupõe uma participação pública, uma ação interventora que muitas vezes não se distingue da acção política. Ou seja o acento sobre o espaço é complementado ou substituído pelo protagonismo e participação dos agentes sociais.”
Andrade, Pedro (2010), “Arte Pública versus Arte Privada”, in Malcolm Miles et al., Arte Pública e Cidadania.Lisboa, Caleidoscópio, 44-67

O espaço público (…) subentende público não especializado para o qual deverão ser criadas condições de acessibilidade ao trabalho artístico para este promover uma contribuição cultural enriquecedora. O público é heterogéneo. Com pessoas que se relacionam de diferentes modos com os lugares inscritos nesse espaço público, em função dos seus posicionamentos, da forma como nele circulam e dos pontos de vista que têm sobre ele.(…) Aí, a arte vai ao encontro das pessoas, surpreendendo-as no seu dia-a-dia, como forma especifica de comunicação e interpelação” Traquino, Marta (2010), A construção do lugar pela arte contemporânea. Ribeirão:Húmus.

Eis duas notas prévias ao debate de 23 de Fevereiro sobre "A arte no espaço público e a construção de Évora Cidade Educadora".
Como alargar a participação pública em Évora? Quem está interessado nisso? Com que fins?
Estarão as a artes no espaço público em Évora a ir ao encontro das pessoas, a interpelá-las? Como? E porque não?

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Impressões dum debate ao cair da tarde, em Évora


Ontem estive presente num debate sobre " Habitar a cidade, construir o espaço público", no Salão Condestável em Évora. Uma das coisas que se disseram lá é que o facebook é um local de exibicionismo pessoal, onde nos mostramos (às vezes através de coisas que não têm importância nenhuma para os outros). 
Alguém chegou a dizer: por um lado tem piada saber que a Presidente da Junta de Freguesia de ...está de manhã a fazer panquecas! Certo é e penso que todos os que lá estivemos concordamos que o facebook, a internet ajuda a pessoas, que não se encontrariam de outras formas, a aderirem a debates como o de ontem. 
Foi um debate que derivou para aquilo que eu pensava ser uma paranóia minha e para a resolução da qual eu até já estava a pensar fazer psicanálise. Na verdade Évora tem muita muralha, os eborenses e os que cá estão por empréstimo (como eu) sentem-se aprisionados. Os resquícios da Idade Média, da Inquisição, a forte presença real nesta cidade, mormente entre os sécs. XVI e XVIII, escavaram no eborense uma forma de estar medrosa face aos outros, ao suposto poder dos outros...todos temos medo de dizer o que pensamos, todos tememos ter opinião. 
Não se pode ter opinião em Évora! Se se é de esquerda é porque se é de esquerda, se se é da direita é porque se é da direita, se se é católico (logo opus dei) é porque se é católico...existe uma censura em Évora. Uma censura colectiva, que faz temermos uns aos outros. Por isso só singra nesta cidade quem é low profile (e que seja quase imperceptível), ou os medianos. Os que valem, mal põem a cabeça de fora cortam-lhes " as vazas", ostracizam-nos como se fossem uma praga contra a letargia eborense. Sim, letargia...
Todos os fins de semana ando à procura de oferta cultural em Évora. Tenho filhos, gostava de oferecer-lhes um pouco de cultura nesta cidade, mas não é possível. Os eventos não são devidamente publicitados, a Universidade deveria ter um papel educativo nesta cidade está completamente desligada da cidade, como se fora um casulo. As conferências que promove são para os "da casa". Ora assim não se vai a lado nenhum. Depois não existe máxima crítica nesta urbe. Os autóctones funcionam como clãs avessos à inovação. Vão em rebanhos a determinados eventos, todos muito juntinhos como se se protegessem com uma muralha de altivez dos "outros" que têm obrigação de se sentir a mais. 
Não sou de Évora. Penso que poucas são as cidades com as possibilidades de Évora e nenhuma como ela se dá ao luxo de desperdiçar o seu enorme potencial. Ontem todos concordaram que em Évora não se consegue fazer nada, que não se consegue progredir porque nós não gostamos uns dos outros. Todos temos medo uns dos outros. Todos temos medo de emitir as nossas opiniões pessoais. Todos nos calamos pois quando falamos:zás, estamos aniquilados profissionalmente, a nível das relações interpessoais, a nível sabe-se lá do quê!!!!!
Ontem fui para o debate pensando que se iria debater a cidade. Afinal debateram-se as pessoas, os medos, as frustrações, a fatalidade de se ser eborense. Foi uma psicanálise colectiva, um confronto com a triste realidade...não deixei de constatar, porém, que a contradição de ontem é que havia "tribos" várias amuralhadas a falarem das tribos e das muralhas...

Marta Nunes Ferreira - Dia 27 de Janeiro de 2012 (facebook)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Debate sobre Évora, Cidade Educadora na edição de hoje do semanário REGISTO

(clique AQUI para ler)

Poder-se-à chamar Cidade a um espaço onde as redes de comunicação não cumprem o seu papel?


Na passada quinta-feira assisti a um debate organizado pelo departamento de filosofia e pelo CIDEHUS da Universidade de Évora.

Discutia-se o tema “as redes de comunicação na construção de uma cidade educadora” e confesso que me apresentei um pouco apreensivo com receio que o debate descambasse para um registo demasiado académico e distante da realidade.
Afinal a cidade real impôs-se e o debate tornou-se revelador da forma como a vivemos, com que preconceitos nos olhamos, como entendemos a comunicação ou a sua ausência, como conhecemos ou desconhecemos a cidade que habitamos.
E também se evidenciou que a cidade não comunica dentro do seu espaço sobre o seu espaço. É como se estivéssemos todos alinhadinhos de frente para uma janela a comunicar sobre o que se passa lá fora.
Poder-se-á chamar Cidade a um espaço onde as redes de comunicação não cumprem o seu papel de promover o debate sobre as vidas que nela habitam?
Afirmou-se que tal aconteceria devido à sua reduzida dimensão, ao facto de todos nos conhecermos e à dificuldade que existe em separar o que afirmamos do que somos.
Sendo naturalmente esse um constrangimento relevante, não me parece que seja decisivo para a existência de uma rede de comunicação onde se cruzem ideias, se afirmem ou se radicalizem posições.
O que é decisivo é a coragem que cada um necessita de ter para contestar o pensamento do outro ou a sua posição política, resistindo à tentação de contestar o emissor enquanto tal.
Como isso parece impossível, temos as redes de comunicação social (jornais e rádios) a ajustarem o que comunicam aos poderes formais e informais, entremeando crónicas de opinião dissonantes que, de impacto variável, também funcionam como legitimadoras de uma certa aparência de isenção e independência.
Depois temos a novidade das redes de comunicação assentes em suporte digital, compostas no essencial por blogs e redes sociais onde, apesar de tudo, a opinião é mais livre e mais consentânea com o pensamento e onde, muitas vezes a coberto do anonimato, um cobarde se pode dar ao luxo de ser um canalha.
Será que estas redes de comunicação contribuem para a construção de uma cidade educadora? Não creio. Mas, na ausência de outros espaços de comunicação é nesta rede que temos de comunicar.
Por falar nisso, deixem-me lá dizer o que tinha para vos comunicar hoje.
Repararam na firmeza e convicção com que o primeiro-ministro afirmou que o programa de austeridade é para cumprir custe o que custar?
Custe que custar a quem? Era uma pergunta de retórica que irá ter uma resposta que não é de retórica no próximo dia 11 de Fevereiro, quando os portugueses transformarem o Terreiro do Paço no Terreiro do Povo.
Até para a semana

Eduardo Luciano, na Rádio Diana

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Calendário do Ciclo de debates

foto Celso Mangucci

Em cada um dos onze debates previstos, caberá a um painel de pessoas especialmente identificadas com o tema proposto em cada sessão, impulsionar o debate que se pretende seja bastante participado pelos cidadãos que habitam esta cidade.
Desejamos cruzar perspectivas de natureza académica  com outras, emanadas do vivido, sobre a cidade de Évora na segunda década do século XXI.
Depois do primeiro debate ocorrido na última quinta feira sobre "As Redes de Comunicacão na construção de Évora Cidade Educadora", seguem-se outros temas agendados no seguinte calendário:

23 de fevereiro- A Arte no Espaço Público e a construção de Évora, Cidade Educadora.
Moderação: Susana Piteira, Artista Plástica e Prof. na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

29 de março – Os Artistas na construção de Évora, Cidade Educadora
Moderação - A confirmar

26 de abril – Património, História e Memória na construção de Évora, Cidade Educadora
Moderação: A confirmar

31 de maio
- O papel da Arquitectura na construção de Évora, Cidade Educadora
Moderação: Prof. Aurora Carapinha, Departamento de Paisagem, Ambiente e Ordenamento da Universidade de Évora; actual Delegada Regional de Cultura do Alentejo.

28 de junho- Os agentes económicos na construção de Évora, Cidade Educadora
Moderação: Prof. Maria Manuel Serrano, Departamento de Sociologia da Universidade de Évora.

26 de julho – As estruturas político-partidárias na construção de Évora, Cidade Educadora
Moderação: Prof. Silvério Rocha e Cunha, Departamento de Economia da Universidade de Évora

27 de setembro- Educação informal na construção de Évora Cidade Educadora
Moderação: Prof. José Bravo Nico, Departamento de Pedagogia e Educação da Universidade de Évora.

25 de outubro- A investigação científica na construção da Cidade Educadora
Moderação: Prof. Carlos Fortuna, Universidade de Coimbra, CES.

29 de novembro- A cibercidade na construção de Évora, Cidade Educadora.
Moderação : Prof. José Saragoça, Departamento de Sociologia da Universidade de Évora.

13 de dezembro- A diversidade de públicos construtores de Évora, Cidade Educadora
Moderação: Prof. Claudia Sousa Pereira, Vereadora na Câmara Municipal de Évora.