Na passada quinta-feira assisti a um debate organizado pelo departamento de filosofia e pelo CIDEHUS da Universidade de Évora.
Discutia-se o tema “as redes de comunicação na construção de uma cidade educadora” e confesso que me apresentei um pouco apreensivo com receio que o debate descambasse para um registo demasiado académico e distante da realidade.
Afinal a cidade real impôs-se e o debate tornou-se revelador da forma como a vivemos, com que preconceitos nos olhamos, como entendemos a comunicação ou a sua ausência, como conhecemos ou desconhecemos a cidade que habitamos.
E também se evidenciou que a cidade não comunica dentro do seu espaço sobre o seu espaço. É como se estivéssemos todos alinhadinhos de frente para uma janela a comunicar sobre o que se passa lá fora.
Poder-se-á chamar Cidade a um espaço onde as redes de comunicação não cumprem o seu papel de promover o debate sobre as vidas que nela habitam?
Afirmou-se que tal aconteceria devido à sua reduzida dimensão, ao facto de todos nos conhecermos e à dificuldade que existe em separar o que afirmamos do que somos.
Sendo naturalmente esse um constrangimento relevante, não me parece que seja decisivo para a existência de uma rede de comunicação onde se cruzem ideias, se afirmem ou se radicalizem posições.
O que é decisivo é a coragem que cada um necessita de ter para contestar o pensamento do outro ou a sua posição política, resistindo à tentação de contestar o emissor enquanto tal.
Como isso parece impossível, temos as redes de comunicação social (jornais e rádios) a ajustarem o que comunicam aos poderes formais e informais, entremeando crónicas de opinião dissonantes que, de impacto variável, também funcionam como legitimadoras de uma certa aparência de isenção e independência.
Depois temos a novidade das redes de comunicação assentes em suporte digital, compostas no essencial por blogs e redes sociais onde, apesar de tudo, a opinião é mais livre e mais consentânea com o pensamento e onde, muitas vezes a coberto do anonimato, um cobarde se pode dar ao luxo de ser um canalha.
Será que estas redes de comunicação contribuem para a construção de uma cidade educadora? Não creio. Mas, na ausência de outros espaços de comunicação é nesta rede que temos de comunicar.
Por falar nisso, deixem-me lá dizer o que tinha para vos comunicar hoje.
Repararam na firmeza e convicção com que o primeiro-ministro afirmou que o programa de austeridade é para cumprir custe o que custar?
Custe que custar a quem? Era uma pergunta de retórica que irá ter uma resposta que não é de retórica no próximo dia 11 de Fevereiro, quando os portugueses transformarem o Terreiro do Paço no Terreiro do Povo.
Até para a semana
Eduardo Luciano, na Rádio Diana

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