Um blogue de apoio à construção de uma cultura de Cidade Educadora nas Cidades da Rede Portuguesa de Cidades Educadoras

sexta-feira, 30 de março de 2012

um debate vivo, mas...

Foto de Joaquim Carrapato: o debate sobre jovens criadores
"Foi um debate vivo, mas chegados ao fim, alguns ficámos a perguntar-nos: Mas o que é que os jovens criadores pensam? A CA sintetizou bem: pensam que têm que se desenrascar sozinhos para arranjar o seu trabalho, contando apenas com a ajuda dos pais.
Lamentável, não a conclusão, mas o estado a que isto chegou
..."

Helena Figueiredo no FB

terça-feira, 20 de março de 2012

sobre a relação da gente jovem com os espaços-tempos da cidade

"As formas de participação baseadas em práticas culturais na cidade, parecem de facto, posicionar os jovens em condições de reverter a “presentificação” do tempo e a crise das relações sociais que caracterizam a nossa época."
Esta é uma das conclusões a que chega Carmen Leccardi, socióloga da Universidade de Milão- Bicocca, num artigo intitulado " Crise do futuro, redefinições de cidadania e formas de participação cultural da juventude", publicado na revista " Cidade, Juventude e Educação" da AICE. Trata-se de um texto produzido a partir de uma investigação desenvolvida em Milão em 2008, centrado sobre "as relações dos jovens com os espaços-tempos da metrópole".
" Se bem que confrontados com processos sociais geradores de novas e profundas desigualdades, estando obrigados a construir a sua própria biografia sem poder contar com o apoio institucional, num horizonte 'a curto prazo', os jovens incluidos nesta investigação expressam positivamente todo um reportório de capacidades criativas. Graças a esse reportório parecem estar em condições de pôr em prática formas de ação cultural, frequentemente pensadas e construídas com chave política, capazes de 'domesticar' (Mandich, 2008) os tempos fortemente acelerados (Leccardi, 2009) e os 'espaços abstractos' (Lefebvre, 1974) da cidade."
Não dispondo Évora de um estudo do género, o que pensarão os jovens de Évora desta perspectiva de Leccardi? Haverá possibilidades de se reverem  neste estudo?

segunda-feira, 19 de março de 2012

Mais um debate no próximo dia 29 de Março

Aí está mais um debate do ciclo "Habitar a Cidade, Construir Espaço Público", intitulado "Jovens Criadores e a construção de Évora Cidade Educadora" que terá lugar na próxima quinta-feira, 29 de Março, entre as 17.30h e as 20.30h no Condestável Café Bistrô, Rua Diogo Cão, 3, em Évora.
O painel deste debate é constituído por Pedro Pinto, músico (moderador); Ana Rita Rodrigues, actriz e criadora; Daniel Catarino, músico; Joana Dias, designer; Márcio Pereira, perfomer.

terça-feira, 13 de março de 2012

"Não penso que Évora é uma cidade educadora"

Foto de Pedro Pinto - debate de Fevereiro
Cláudia Silvano é cidadã de Évora, e acompanhou o último debate sobre "Arte pública e a construção de Évora cidade educadora". Confrontou-se, posteriormente e quase por acaso,  com o documento a seguir transcrito e aprovado há menos de um ano pelo Congresso Nacional das Cidades Educadoras em Lisboa. À luz desta declaração lhe parece haver razões para pensar que Évora não é uma cidade educadora:
"Não penso que Évora é uma cidade educadora, não há cooperação, não há estruturação, não há uma linha condutora, não há....
Fiquei triste, pois estas coisas não saem do papel.São bem pensadas e escritas e depois...
Desculpa o desabafo, mas a culpa é tua, pois alertaste-me para isto"

Declaração Das Cidades Educadoras para o Desenvolvimento Sustentável.

Fundamentados na Carta das Cidades Educadoras e nos Princípios emanados da Cimeira da Terra decorrida no Rio de Janeiro (1992) e consagrados na Cimeira Mundial de Desenvolvimento Sustentável de Joanesburgo (2002) e nos Objectivos do Milénio que vieram nortear a Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável, os participantes no IV Congresso Nacional das Cidades Educadoras, declaram:

1 – As Cidades são um substrato educador por excelência pelo que devem facilitar a fruição dos seus recursos e oportunidades educativas orientadas para os diferentes níveis etários, através das várias modalidades de educação que nelas se realizam (formal, informal e não formal).
A paisagem urbana deve tornar-se um bom substrato pedagógico e um bom exemplo capaz de melhor enquadrar esses processos perspectivando um ambiente de qualidade para todos os cidadãos e uma sociedade mais participativa; (Paisagem Educadora)

2 – As Cidades Educadoras promoverão a qualidade de vida das suas comunidades, facilitando-lhes o acesso, uso e fruição às instituições solidárias, educativas e culturais, aos espaços e serviços públicos e às áreas naturais; (Livre acesso)

3 – As Cidades Educadoras valorizarão o desenvolvimento humano como processo de diálogo intercultural, dando visibilidade à sua diversidade humana, social e cultural como forma de afirmação da sua identidade como cidade dinâmica e sustentável; (Diálogo intercultural)

4 – As Cidades Educadoras devem oferecer aos agentes educativos oportunidades e recursos educativos também fora do contexto formal de educação e ensino, que podem proporcionar aprendizagens educadoras pedagogicamente mais eficientes porque desenvolvidas fora do seu contexto usual, em ambiente real; (Educação em ambiente real)

5 – Os processos educativos devem integrar não só os aspectos cognitivos relativos ao desenvolvimento sustentável, mas sobretudo os comportamentos e atitudes neles implícitos que alicercem uma verdadeira cultura ambiental e de cidadania; (Educação para os Valores)

6 - As Cidades Educadoras desenvolverão processos educativos que venham a contribuir para a estruturação de uma sociedade sustentável nas suas vertentes económica, social, institucional e ambiental; (Educação para a Sustentabilidade)

7 – As Cidades Educadoras salvaguardarão a biodiversidade e o equilíbrio dos ciclos naturais, suportados numa responsabilidade ética da sociedade para com os outros seres vivos que com ela partilham o planeta; (Educação para a Biodiversidade)

8 – As Cidades Educadoras devem envolver a comunidade educativa no processo da Agenda 21 Local, criando os necessários mecanismos facilitadores do acesso à informação e à participação; (Agenda 21 Local)

9 – Nas Cidades Educadoras os espaços e equipamentos destinados ao desenvolvimento de actividades educadoras deverão integrar aspectos e soluções energéticas de biodiversidade, de interculturalidade e de natureza em meio urbano que sejam promotores da cooperação, interacção e aproximação entre todos os agentes envolvidos; (Equipamentos e Infraestruturas Educadoras)

10 – A gestão dos equipamentos destinados ao desenvolvimento de actividades educadoras deve seguir procedimentos participados que conduzam à apropriação colectiva e à responsabilidade partilhada no seu desenvolvimento e participação que conduzam à Acção e que possam influenciar positivamente a cidade; (Gestão para a Acção)

11 – Nas Cidades Educadoras, os agentes educadores devem envolver-se em processos de formação continuados, prosseguindo uma permanente actualização e o aperfeiçoamento crítico da sua acção educativa; (Educação ao longo da vida)
12 – Urge repor o relacionamento harmonioso da Cidade com a Natureza numa unidade ambiental funcional da Cidade; (Relação cidade – campo)

13 – Nas Cidades Educadoras, os conceitos e princípios do desenvolvimento sustentável devem ser apropriados por toda a comunidade, num compromisso activo de cidadania democrática e participativa e de relacionamento harmonioso dos ambientes construídos com a natureza. (Educação de todos, por todos e para todos)
IV Congresso Nacional das Cidades Educadoras
Lisboa, 7 de Maio de 2011,


quarta-feira, 7 de março de 2012

Centros e discursos


Foto Pedro Pinto
No contexto, parece-me por vezes que as visões académicas se esquecem dos planos práticos. todos somos artistas, todos somos potenciais produtores das diversas artes. mas perece-me, contudo que, um conhecimento erudito da história e correntes artísticas e estéticas, são essenciais para a produção artística consciênte, emanada das emoções mas domesticada e enquadrada pelos códigos, conceitos e cânones, que não têm que constituir forçosamente mordaças ou espartilhos para a livre expressão.

Sobre o espaço público, a sua vida e vivência, a sua inteligeência e usofruto, parece-me haver uma deficiente leitura dos diversos centros que uma cidade pode gerar. naturalmente que a imposição de obras de regime e discurso de poder, seja no contexto temporal do decurso do crescimento natural da cidade, ou no seu crecimento ou variação de importância económoco-política gera centros privilegiados/nobres, também gera centros naturais que no caso de évora são a vida quotidiana de alguns bairros em que existe uma dinâmica e vida próprias. Apenas a existência de um pequeno largo com um estabelecimento comercial pode gerar expontãneamente uma "subcentralidade" que poderá posteriormente ser aproveitada á posteriori por um qualquer discurso de poder ou regime atravéz de uma qualquer obra de arte emanate ou não da realidade do local.

Será sempre um poder, oficial de um orgão executivo, ou expontâneo de uma população, a definir o elemento cenográfico, arquitectónico, escultórico, ou mesmo de mobiliário urbano, que construirá o centro ou "subcentro" de um determinado aglomerado ou subdivisão urbanos permanecerão matéria viva e serão apropriados e utilizados ou não, conforme exista uma afinidade emocional, ideológica ou económico-comercial que lhe esteja subjacente, sendo que a sua imposição será sempre de difícil aceitação e até mesmo de negação se estas características não existirem.

A leitura dos discursos políticos, digo de regime ou poder, só serão feitas porquanto e enquanto reunirem significados emocionais para a população. (concretamente- digamos que nunca ninguem dirá a rotunda do icaro mas sim a rotunda da rampa... do seminário e será muito difícil assumir a rotunda da LAGRIL como rotunda das bicicletas. o refratarismo á mudança por parte dos colectivos é sempre muito acentuado a não ser que tal parta directamente da população anónima por qualquer acontecimento que conquiste ou envolva o seu imaginário.) estes fenómenos encontram-se nas toponímias das cidades que nem sempre são coincidentes com as designações populares (por mais que a baixa lisboeta ostente a definição de rua aurea ela será sempre a rua do ouro, por mais que a eborense praça antónio augusto de aguiar ostente as suas oficiais placas será sempre o jardim das canas, tal como a rua candido dos reis será sempre a rua da lagoa). é de facto a viveência popular que assimilará ou não as demarcações, definições, exibições, etc. dos espácos públicos. poder e as modas fazem propostas que podem fazer marco ou não, bem como as utilizações podem alterar-se com o tempo.

Esta foi apenas uma manifestação de sensibilidade empírica muito pessoal. Peço perdão se disse alguma enormidade. :)

Vicente de Sá
no facebook 25.2.2012 entre a 01.41 e as 02.21 no grupo Évora, como comentário à opinião de JRdSantos



 

terça-feira, 6 de março de 2012

comentário de um participante no debate sobre "arte no espaço público" (fevereiro)

Foto Pedro Pinto
As iniciativas que a Dores Correia tem vindo a tomar mostram, como aliás outras já vinham indicando, que existe em Évora espaço para debate... e que quando ele não existe, é possível criá-lo.
Gostei do painel pela sua qualidade e pela diversidade dos pontos de vista. A sala, creio, estava muito atenta e a Dores Correia está de parabéns.
Fiquei com duas ou três pequenas (!) questões atravessadas na... mente, porque me parece que elas foram evocadas só à superfície, ou evitadas:
- A definição de "arte pública" que tanto nas apresentações como no texto de Susana Piteira, ficou mal alinhavada, confusa e até contraditória (como alguém notou: entre "arte no espaço público" e "arte para o grande público", ou "arte pública" porque encomendada pelos poderes públicos, etc.).
- A questão do poder no / sobre o espaço público, em geral, e na inserção de "obras artísticas" nesse mesmo espaço: quando a arte é tomada, como inevitavelmente na rede do poder (como instrumento, como mensagem, etc.). O que fazem a arquitectura e o urbanismo à cidade dos cidadãos, como forma específica de dominação.
- A questão do estatuto do "artista" em relação aos "não-artistas", pela mediação do poder (poder instituir quem é e quem não é "artista") e da "arte" (instituir o que é e o que não é arte).

Sobre todas estas questões, foi um prazer constatar que alguns dos panelistas acharam as minhas posições "muito (para não dizer demasiado) radicais".
Concordo. Essa "radicalidade" mais não é do que o resultado da postura analítica que aprendi ao longo dos anos: a independência dos interesses institucionais, políticos, profissionais, coloca-nos em posição de poder dizer o... que não se pode dizer, à diferença dos que fazem "arte para as pessoas", "cidade para as pessoas" e se arrogam o direito de saber melhor que as pessoas o que é bom para elas, a sua vida, o seu espaço próprio, etc.
Pequenas questões, decerto...

José Rodrigues dos Santos
no facebook, grupo Évora, em 24.02 às 17.50h