Um blogue de apoio à construção de uma cultura de Cidade Educadora nas Cidades da Rede Portuguesa de Cidades Educadoras

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Évora: esta tarde mais um debate sobre a cidade educadora

(Foto José Manuel Rodrigues)

Discutir o papel da arte no espaço público em Évora, na segunda década do século XXI, com uma perspectiva crítica e multidisciplinar, é o objectivo do debate de hoje à tarde, entre as 17,30 e as 20,30 horas, num café Condestável. 
“A Arte Publica crítica, não tem por objectivo nem um exibicionismo complacente, nem uma colaboração passiva com a grande galeria da cidade, o seu teatro ideológico e o seu sistema sócio-arquitectural. Trata-se antes de uma estratégia de colocar em questão as estruturas urbanas e os meios que condicionam a nossa percepção quotidiana do mundo” explica Susana Piteira, a moderadora deste debate, citando K. Wodiczo, um artista e autor conceituado de origem polaca, que vive entre Nova York e Cambrige. Esta é a ideia de partida para uma reflexão para a qual estão convidados os cidadãos-habitantes de Évora. 
Susana Piteira é escultora e professora na Faculdade de Belas Artes do Porto. Viveu em Évora Monte durante as últimas duas décadas. Desenvolveu uma tese de doutoramento (em fase de conclusão) sobre o tema proposto para este debate. 
Isabel Bezelga é professora na Universidade de Évora e coordenadora do projecto MUS-E, centrado nos últimos anos na educação pela arte, na escola da Cruz da Picada em Évora. 
José Alberto Ferreirapara além de professor na Universidade de Lisboa é o responsável pelo festival de artes performativas "Escrita na Paisagem” que avança este ano para a 10ª edição. 
Nuno Lopes é arquitecto. Habitante em Évora, tem o seu nome ligado ao Bairro da Malagueira e a Siza Vieira, ao Centro Histórico de que foi director durante alguns anos, e a outros projectos que motivaram a discussão pública. 
Paulo Simões Rodrigues também professor de História de Arte na Universidade de Évora e investigador no CHAIA – (Centro de História da Arte e Investigação Artística, Universidade de Évora), estuda principalmente a arte contemporânea. 
A este painel diversificado de especialistas caberá motivar o segundo debate do ciclo “Habitar a Cidade. Construir Espaço Público”. Entrada livre.

Newsletter Évora Cidade Educadora 2

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A Arte pública pressupõe participação pública. Notas para o debate de Fevereiro

Fotografias de José Cabral (1997-1998)
Edição da Câmara Municipal de Évora, s/d (1999?)
tirada daqui
A arte pública pressupõe uma participação pública, uma ação interventora que muitas vezes não se distingue da acção política. Ou seja o acento sobre o espaço é complementado ou substituído pelo protagonismo e participação dos agentes sociais.”
Andrade, Pedro (2010), “Arte Pública versus Arte Privada”, in Malcolm Miles et al., Arte Pública e Cidadania.Lisboa, Caleidoscópio, 44-67

O espaço público (…) subentende público não especializado para o qual deverão ser criadas condições de acessibilidade ao trabalho artístico para este promover uma contribuição cultural enriquecedora. O público é heterogéneo. Com pessoas que se relacionam de diferentes modos com os lugares inscritos nesse espaço público, em função dos seus posicionamentos, da forma como nele circulam e dos pontos de vista que têm sobre ele.(…) Aí, a arte vai ao encontro das pessoas, surpreendendo-as no seu dia-a-dia, como forma especifica de comunicação e interpelação” Traquino, Marta (2010), A construção do lugar pela arte contemporânea. Ribeirão:Húmus.

Eis duas notas prévias ao debate de 23 de Fevereiro sobre "A arte no espaço público e a construção de Évora Cidade Educadora".
Como alargar a participação pública em Évora? Quem está interessado nisso? Com que fins?
Estarão as a artes no espaço público em Évora a ir ao encontro das pessoas, a interpelá-las? Como? E porque não?

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Impressões dum debate ao cair da tarde, em Évora


Ontem estive presente num debate sobre " Habitar a cidade, construir o espaço público", no Salão Condestável em Évora. Uma das coisas que se disseram lá é que o facebook é um local de exibicionismo pessoal, onde nos mostramos (às vezes através de coisas que não têm importância nenhuma para os outros). 
Alguém chegou a dizer: por um lado tem piada saber que a Presidente da Junta de Freguesia de ...está de manhã a fazer panquecas! Certo é e penso que todos os que lá estivemos concordamos que o facebook, a internet ajuda a pessoas, que não se encontrariam de outras formas, a aderirem a debates como o de ontem. 
Foi um debate que derivou para aquilo que eu pensava ser uma paranóia minha e para a resolução da qual eu até já estava a pensar fazer psicanálise. Na verdade Évora tem muita muralha, os eborenses e os que cá estão por empréstimo (como eu) sentem-se aprisionados. Os resquícios da Idade Média, da Inquisição, a forte presença real nesta cidade, mormente entre os sécs. XVI e XVIII, escavaram no eborense uma forma de estar medrosa face aos outros, ao suposto poder dos outros...todos temos medo de dizer o que pensamos, todos tememos ter opinião. 
Não se pode ter opinião em Évora! Se se é de esquerda é porque se é de esquerda, se se é da direita é porque se é da direita, se se é católico (logo opus dei) é porque se é católico...existe uma censura em Évora. Uma censura colectiva, que faz temermos uns aos outros. Por isso só singra nesta cidade quem é low profile (e que seja quase imperceptível), ou os medianos. Os que valem, mal põem a cabeça de fora cortam-lhes " as vazas", ostracizam-nos como se fossem uma praga contra a letargia eborense. Sim, letargia...
Todos os fins de semana ando à procura de oferta cultural em Évora. Tenho filhos, gostava de oferecer-lhes um pouco de cultura nesta cidade, mas não é possível. Os eventos não são devidamente publicitados, a Universidade deveria ter um papel educativo nesta cidade está completamente desligada da cidade, como se fora um casulo. As conferências que promove são para os "da casa". Ora assim não se vai a lado nenhum. Depois não existe máxima crítica nesta urbe. Os autóctones funcionam como clãs avessos à inovação. Vão em rebanhos a determinados eventos, todos muito juntinhos como se se protegessem com uma muralha de altivez dos "outros" que têm obrigação de se sentir a mais. 
Não sou de Évora. Penso que poucas são as cidades com as possibilidades de Évora e nenhuma como ela se dá ao luxo de desperdiçar o seu enorme potencial. Ontem todos concordaram que em Évora não se consegue fazer nada, que não se consegue progredir porque nós não gostamos uns dos outros. Todos temos medo uns dos outros. Todos temos medo de emitir as nossas opiniões pessoais. Todos nos calamos pois quando falamos:zás, estamos aniquilados profissionalmente, a nível das relações interpessoais, a nível sabe-se lá do quê!!!!!
Ontem fui para o debate pensando que se iria debater a cidade. Afinal debateram-se as pessoas, os medos, as frustrações, a fatalidade de se ser eborense. Foi uma psicanálise colectiva, um confronto com a triste realidade...não deixei de constatar, porém, que a contradição de ontem é que havia "tribos" várias amuralhadas a falarem das tribos e das muralhas...

Marta Nunes Ferreira - Dia 27 de Janeiro de 2012 (facebook)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Debate sobre Évora, Cidade Educadora na edição de hoje do semanário REGISTO

(clique AQUI para ler)

Poder-se-à chamar Cidade a um espaço onde as redes de comunicação não cumprem o seu papel?


Na passada quinta-feira assisti a um debate organizado pelo departamento de filosofia e pelo CIDEHUS da Universidade de Évora.

Discutia-se o tema “as redes de comunicação na construção de uma cidade educadora” e confesso que me apresentei um pouco apreensivo com receio que o debate descambasse para um registo demasiado académico e distante da realidade.
Afinal a cidade real impôs-se e o debate tornou-se revelador da forma como a vivemos, com que preconceitos nos olhamos, como entendemos a comunicação ou a sua ausência, como conhecemos ou desconhecemos a cidade que habitamos.
E também se evidenciou que a cidade não comunica dentro do seu espaço sobre o seu espaço. É como se estivéssemos todos alinhadinhos de frente para uma janela a comunicar sobre o que se passa lá fora.
Poder-se-á chamar Cidade a um espaço onde as redes de comunicação não cumprem o seu papel de promover o debate sobre as vidas que nela habitam?
Afirmou-se que tal aconteceria devido à sua reduzida dimensão, ao facto de todos nos conhecermos e à dificuldade que existe em separar o que afirmamos do que somos.
Sendo naturalmente esse um constrangimento relevante, não me parece que seja decisivo para a existência de uma rede de comunicação onde se cruzem ideias, se afirmem ou se radicalizem posições.
O que é decisivo é a coragem que cada um necessita de ter para contestar o pensamento do outro ou a sua posição política, resistindo à tentação de contestar o emissor enquanto tal.
Como isso parece impossível, temos as redes de comunicação social (jornais e rádios) a ajustarem o que comunicam aos poderes formais e informais, entremeando crónicas de opinião dissonantes que, de impacto variável, também funcionam como legitimadoras de uma certa aparência de isenção e independência.
Depois temos a novidade das redes de comunicação assentes em suporte digital, compostas no essencial por blogs e redes sociais onde, apesar de tudo, a opinião é mais livre e mais consentânea com o pensamento e onde, muitas vezes a coberto do anonimato, um cobarde se pode dar ao luxo de ser um canalha.
Será que estas redes de comunicação contribuem para a construção de uma cidade educadora? Não creio. Mas, na ausência de outros espaços de comunicação é nesta rede que temos de comunicar.
Por falar nisso, deixem-me lá dizer o que tinha para vos comunicar hoje.
Repararam na firmeza e convicção com que o primeiro-ministro afirmou que o programa de austeridade é para cumprir custe o que custar?
Custe que custar a quem? Era uma pergunta de retórica que irá ter uma resposta que não é de retórica no próximo dia 11 de Fevereiro, quando os portugueses transformarem o Terreiro do Paço no Terreiro do Povo.
Até para a semana

Eduardo Luciano, na Rádio Diana

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Calendário do Ciclo de debates

foto Celso Mangucci

Em cada um dos onze debates previstos, caberá a um painel de pessoas especialmente identificadas com o tema proposto em cada sessão, impulsionar o debate que se pretende seja bastante participado pelos cidadãos que habitam esta cidade.
Desejamos cruzar perspectivas de natureza académica  com outras, emanadas do vivido, sobre a cidade de Évora na segunda década do século XXI.
Depois do primeiro debate ocorrido na última quinta feira sobre "As Redes de Comunicacão na construção de Évora Cidade Educadora", seguem-se outros temas agendados no seguinte calendário:

23 de fevereiro- A Arte no Espaço Público e a construção de Évora, Cidade Educadora.
Moderação: Susana Piteira, Artista Plástica e Prof. na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

29 de março – Os Artistas na construção de Évora, Cidade Educadora
Moderação - A confirmar

26 de abril – Património, História e Memória na construção de Évora, Cidade Educadora
Moderação: A confirmar

31 de maio
- O papel da Arquitectura na construção de Évora, Cidade Educadora
Moderação: Prof. Aurora Carapinha, Departamento de Paisagem, Ambiente e Ordenamento da Universidade de Évora; actual Delegada Regional de Cultura do Alentejo.

28 de junho- Os agentes económicos na construção de Évora, Cidade Educadora
Moderação: Prof. Maria Manuel Serrano, Departamento de Sociologia da Universidade de Évora.

26 de julho – As estruturas político-partidárias na construção de Évora, Cidade Educadora
Moderação: Prof. Silvério Rocha e Cunha, Departamento de Economia da Universidade de Évora

27 de setembro- Educação informal na construção de Évora Cidade Educadora
Moderação: Prof. José Bravo Nico, Departamento de Pedagogia e Educação da Universidade de Évora.

25 de outubro- A investigação científica na construção da Cidade Educadora
Moderação: Prof. Carlos Fortuna, Universidade de Coimbra, CES.

29 de novembro- A cibercidade na construção de Évora, Cidade Educadora.
Moderação : Prof. José Saragoça, Departamento de Sociologia da Universidade de Évora.

13 de dezembro- A diversidade de públicos construtores de Évora, Cidade Educadora
Moderação: Prof. Claudia Sousa Pereira, Vereadora na Câmara Municipal de Évora.