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| Foto Pedro Pinto |
As iniciativas que a Dores Correia tem vindo a tomar mostram, como aliás outras já vinham indicando, que existe em Évora espaço para debate... e que quando ele não existe, é possível criá-lo.
Gostei do painel pela sua qualidade e pela diversidade dos pontos de vista. A sala, creio, estava muito atenta e a Dores Correia está de parabéns.
Fiquei com duas ou três pequenas (!) questões atravessadas na... mente, porque me parece que elas foram evocadas só à superfície, ou evitadas:
- A definição de "arte pública" que tanto nas apresentações como no texto de Susana Piteira, ficou mal alinhavada, confusa e até contraditória (como alguém notou: entre "arte no espaço público" e "arte para o grande público", ou "arte pública" porque encomendada pelos poderes públicos, etc.).
- A questão do poder no / sobre o espaço público, em geral, e na inserção de "obras artísticas" nesse mesmo espaço: quando a arte é tomada, como inevitavelmente na rede do poder (como instrumento, como mensagem, etc.). O que fazem a arquitectura e o urbanismo à cidade dos cidadãos, como forma específica de dominação.
- A questão do estatuto do "artista" em relação aos "não-artistas", pela mediação do poder (poder instituir quem é e quem não é "artista") e da "arte" (instituir o que é e o que não é arte).
Sobre todas estas questões, foi um prazer constatar que alguns dos panelistas acharam as minhas posições "muito (para não dizer demasiado) radicais".
Concordo. Essa "radicalidade" mais não é do que o resultado da postura analítica que aprendi ao longo dos anos: a independência dos interesses institucionais, políticos, profissionais, coloca-nos em posição de poder dizer o... que não se pode dizer, à diferença dos que fazem "arte para as pessoas", "cidade para as pessoas" e se arrogam o direito de saber melhor que as pessoas o que é bom para elas, a sua vida, o seu espaço próprio, etc.
Pequenas questões, decerto...
Gostei do painel pela sua qualidade e pela diversidade dos pontos de vista. A sala, creio, estava muito atenta e a Dores Correia está de parabéns.
Fiquei com duas ou três pequenas (!) questões atravessadas na... mente, porque me parece que elas foram evocadas só à superfície, ou evitadas:
- A definição de "arte pública" que tanto nas apresentações como no texto de Susana Piteira, ficou mal alinhavada, confusa e até contraditória (como alguém notou: entre "arte no espaço público" e "arte para o grande público", ou "arte pública" porque encomendada pelos poderes públicos, etc.).
- A questão do poder no / sobre o espaço público, em geral, e na inserção de "obras artísticas" nesse mesmo espaço: quando a arte é tomada, como inevitavelmente na rede do poder (como instrumento, como mensagem, etc.). O que fazem a arquitectura e o urbanismo à cidade dos cidadãos, como forma específica de dominação.
- A questão do estatuto do "artista" em relação aos "não-artistas", pela mediação do poder (poder instituir quem é e quem não é "artista") e da "arte" (instituir o que é e o que não é arte).
Sobre todas estas questões, foi um prazer constatar que alguns dos panelistas acharam as minhas posições "muito (para não dizer demasiado) radicais".
Concordo. Essa "radicalidade" mais não é do que o resultado da postura analítica que aprendi ao longo dos anos: a independência dos interesses institucionais, políticos, profissionais, coloca-nos em posição de poder dizer o... que não se pode dizer, à diferença dos que fazem "arte para as pessoas", "cidade para as pessoas" e se arrogam o direito de saber melhor que as pessoas o que é bom para elas, a sua vida, o seu espaço próprio, etc.
Pequenas questões, decerto...
José Rodrigues dos Santos
no facebook, grupo Évora, em 24.02 às 17.50h

1 comentário:
Muito obrigado pelas sua reflexões.
Muito me espanta que a Susana Piteira tenha deixado em aberto uma questão que para ela parece ser tão importante... No entanto, quero frisar que essa não é uma questão pacífica nem tão pouco já resolvida. Vale a pena ver o "problema" de vários ângulos e tentar tomar uma posição desde o nosso ponto de vista, em vez de beber definições avulso, sem contextualização.
A sua questão sobre a independência é interessante, no entanto, como seres sociais que somos, isso pode ser uma utopia. Penso que valerá mais a pena sermos conscientes daquilo que realmente nos influencia.
Obrigado pela partilha
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